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Relembre alguns momentos do “tio” Nico no programa e seus grandes feitos na cultura regionalista

Morreu nesta quarta-feira o folclorista, poeta, historiador e apresentador do Galpão Crioulo Antonio Augusto Fagundes, conhecido carinhosamente por todos como Nico Fagundes. Ele tinha 80 anos e estava internado há mais de um mês no Hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre.
Nico Fagundes foi um dos mais respeitados estudiosos da cultura, vestimenta, dança e culinária gaúcha. Suas letras e canções já foram gravadas por centenas de músicos. Graças a ele, o Rio Grande do Sul tem clássicos como o “Canto Alegretense” e “Origens”.
Alma do Galpão Crioulo, o folclorista comandou o programa por 30 anos. Nesse período, mais de 1,5 mil edições foram ao ar. Em 2012, Nico se despediu dos telespectadores e o Galpão passou a ser apresentado por seu sobrinho, Neto Fagundes, e a cantora Shana Müller (CLIQUE AQUI e reveja o programa de despedida, exibido em 27 de maio de 2012).
“Me sinto um veterano em fim de carreira, um veterano realizado. O que eu posso querer mais em termos de televisão?”, disse em entrevista na época.
No dia 4 de novembro de 2014, Nico completou 80 anos. Para homenagear o artista, três fotógrafos amigos dos Fagundes selecionaram imagens que marcaram a trajetória da família e montaram uma exposição. Segundo Djuliane Rodrigues, a ideia era fazer a mostra apenas com imagens de Nico, mas foi difícil separá-lo da família.
Dois dias antes do aniversário, foi ao ar um Galpão Crioulo especial em homenagem a Nico. Os apresentadores convidaram artistas para interpretarem músicas do grupo Os Fagundes.
Nico deixa a mulher, Ana Lúcia Piagetti Fagundes, com quem se casou em 2011, e seis filhos, além de todos os gaúchos apaixonados pela cultura e música regionalista.

 

Biografia
Nico Fagundes nasceu em 4 de novembro de 1934, em Inhanduí, interior de Alegrete. Nico iniciou a carreira jornalística aos 16 anos, como cronista e repórter do jornal Gazeta de Alegrete. No mesmo período, começou a atuar na rádio local, apresentando programa humorístico e gauchesco. Foi secretário dos Cadernos do Extremo Sul, editando diversos poetas.

Em 1954, mudou-se para Porto Alegre, onde ingressou no 35 CTG, a convite do poeta Lauro Rodrigues. No mesmo ano, tornou-se redator do Jornal A Hora, no qual atuou durante muitos anos escrevendo a página Regionalismo e Tradição.

Em 1955, passou a fazer parte do Instituto de Tradições e Folclore da Divisão de Cultura do Estado. Durante oito anos, estudou folclorismo, especializando-se em Cultura Afro-gaúcha. Eleito Patrão do 35 CTG, tornou-se professor de danças folclóricas e literatura gauchesca no Instituto de Tradições e Folclore. Viajou para a Europa como sapateador do grupo Os Gaudérios, morando em Paris por quatro meses.
Iniciou pesquisas de indumentária gaúcha, tornando-se a maior autoridade sobre o assunto no Rio Grande do Sul. Contratado como ator pela TV Piratini, foi um dos fundadores do Conjunto de Folclore Internacional, mais tarde batizado de Os Gaúchos, do qual foi diretor durante 15 anos.

Em 1960, fundou, no Instituto de Tradições e Folclore, a Escola Gaúcha de Folclore, de nível superior, que funcionou durante seis anos. Atuou como titular nas cadeiras de danças folclóricas e indumentária gaúcha. Foi diretor da escola durante seis anos.
Formado em Direito, pós-graduado em História do Rio Grande do Sul e Mestre em Antropologia Social, todos os seus cursos foram realizados na Universidade Federal do RGS (UFRGS). Por todas essas suas qualificações, Antonio Augusto Fagundes é respeitado como autoridade em Folclore gaúcho, História do Rio Grande do Sul, Antropologia, Religiões afro-gaúchas, Indumentária gauchesca, Cozinha gauchesca e danças folclóricas.
Entretanto, a face menos conhecida deste intelectual é também sua face mais antiga, a de poeta. Ganhou prêmios e distinções importantes, como a Medalha do Pacificador, do Exército Brasileiro, a Comenda Osvaldo Vergara, da Ordem dos Advogados do Brasil, da qual é também advogado jubilado, e a Comenda do Mérito Oswaldo Aranha. Recebeu inúmeros prêmios em poesia, canções gauchescas, declamações, danças folclóricas e teses. É autor de mais de 100 músicas, entre as quais, “O Canto Alegretense”.
Escreveu o roteiro do filme “Para Pedro”. Atuou como ator, assistente de direção e consultor de costumes do filme “Ana Terra”. Escreveu o roteiro, dirigiu e trabalhou como ator no filme “Negrinho do Pastoreio”, com Grande Otelo. Atuou ainda como ator no filme “O Grande Rodeio”, o qual também produziu e dirigiu.

Em 1976, ingressou na Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore. Em 1990, fundou e assumiu o comando do grupo Cavaleiros da Paz, com o qual empreendeu cavalgadas por diversos países da América do Sul. Quatro anos depois, assumiu a presidência do IGTF.

Na RBS TV, Nico apresentou o Galpão Crioulo por três décadas, de 1982 a 2012. Sua despedida da televisão foi marcada por uma edição comemorativa do programa, gravada com grandes nomes da música regionalista em Venâncio Aires. No ar, Nico foi substituído pelo sobrinho Neto Fagundes e pela cantora Shana Müller.

Fonte/Texto: G1

Sobre Jeff

Idealizador e fundador do Portal Guapos. Pai, fotógrafo, desenvolvedor web, responsável pelo desenvolvimento do Portal Guapos, amante da tradição gaúcha e um apaixonado por internet e tecnologia.

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